Espeleólogos, pesquisadores e acadêmicos se reúnem, de 22 a 25/7, para discutir a espeleologia no sul do Brasil. O II Simpósio Sul-brasileiro de Espeleologia visa proporcionar a troca de conhecimentos, de experiências e integrar os diversos grupos de ciências espeleológicas do país. São esperadas mais de 100 pessoas de diversos estados, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Tocantins, Bahia e Amazonas.
O evento acontece até domingo, no Campus Uvaranas da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), e conta com palestras, mesa redonda, mini-cursos, oficinas e trabalhos de campo em sua programação. A abertura acontece no Auditório do Observatório Astronômico, às 19 horas, com a palestra de Gisele Cristina Sessegolo, intitulada “Espeleologia no Estado do Paraná”.
Arqueologia em cavernas, panorama do turismo espeleológico, simbologia e cultura em cavernas são alguns temas que permearão as discussões durante o evento. Entre os palestrantes convidados, estarão presentes José Ayrton Labegalini, de Minas Gerais, Luiz Afonso Vaz de Figueiredo, presidente da SBE, e Cláudia Inês Parellada. O Simpósio é uma realização da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE), organizado pelo Grupo Universitário de Pesquisas Espeleológicas (GUPE), com o apoio da UEPG e de empresas da região.
O Paraná possui atualmente 289 cavernas cadastradas, número que equivale a cerca de 5 % no contexto nacional de cadastro espeleológico. Em Ponta Grossa, atualmente são 25 cavernas conhecidas e 18 cadastradas. Henrique Simão Pontes, coordenador geral do GUPE, explica que a região dos Campos Gerais precisa mostrar sua enorme potencialidade.
“O Simpósio vem contribuir com esta divulgação, porque deverá atrair turistas e pesquisadores, principalmente devido às especificidades das cavernas encontradas aqui, as quais não se originam em rochas carbonáticas”, comenta. Segundo ele, poucos reconhecem o potencial turístico destes patrimônios espeleológicos. “em Ponta Grossa, por exemplo, as pessoas visitam as Furnas no Parque de Vila Velha, mas não possuem referência de que se tratam de cavernas”, aponta.
Pontes comenta que a falta de pesquisadores tem dificultado a exploração e mapeamento de novas cavidades e, consequentemente, o potencial turístico da espeleologia na região. “O canyon do Guartelá, especialmente partindo em direção de Piraí do Sul, é um ambiente propício à formação de cavernas, mas a área ainda não foi explorada. Estima-se que o número de cavernas dobre no estado após minuciosas explorações nesta região”, fala.
Para ele, as cavernas têm um valor bastante significativo e faz parte da história humana desde os primórdios, por isso precisa ser conhecida e conservada. “Precisamos conservar estes ambientes utilizando-os sustentavelmente. Desta maneira podemos desvendar e aprender um pouco mais sobre a nossa história e sobre a formação e evolução destes peculiares locais”, explica.
De acordo com Pontes, esta é a proposta do GUPE, que conta atualmente com 16 membros. “O grupo não é restrito a estudiosos ou pesquisadores. Basta que se tenha interesse em explorar as cavernas da região e contribuir com a ciência espeleológica” fala.
Mais informações sobre o Simpósio ou sobre o Grupo Universitário de Pesquisas Espeleológicas podem ser obtidos no Departamento de Geociência da UEPG (Campus Uvaranas) ou através do e-mail gupe_caves@yahoo.com.br.
(Paula Schamne)